Dizem que o futebol é uma ciência de espaços, mas no Gillette Stadium ele provou ser, acima de tudo, uma questão de espírito. O Paraguai de Gustavo Alfaro assinou uma das páginas mais dramáticas e belas da história das Copas do Mundo ao eliminar a poderosa Alemanha de Julian Nagelsmann nas penalidades máximas, após uma batalha campal de 120 minutos que terminou em 1 a 1.
A Estratégia do Ferrolho e o Voo de Enciso
Fiel ao resgate de sua identidade mais profunda, o esquadrão sul-americano abdicou voluntariamente da bola. Diante de uma Alemanha que rodava o jogo de forma estéril e insistia no atacante Deniz Undav isolado na frente, os comandados de Alfaro fecharam as linhas de passe com um espírito espartano. A recompensa veio aos 41 minutos da primeira etapa: em contragolpe cirúrgico, Matías Galarza descolou um cruzamento preciso e o jovem Julio Enciso, desafiando as leis da física com seus 1,73m de altura, testou firme para o fundo das redes de Manuel Neuer.
"O Paraguai correu pelo seu povo e defendeu como se cada palmo de grama fosse a fronteira de sua própria existência", destacou a crônica internacional após o apito final.
O Paredão Chamado Orlando Gill
Na segunda etapa, Nagelsmann recorreu ao talento e buscou oxigênio com a entrada de Jamal Musiala. O empate germânico veio aos 8 minutos, quando Florian Wirtz encontrou Kai Havertz, que usou seus 20 centímetros de vantagem sobre a zaga para testar no canto. A Alemanha martelou, teve um gol de Jonathan Tah anulado pelo VAR na prorrogação por falta em cima do goleiro, mas esbarrou em uma muralha inabalável. Na decisão por pênaltis, a mística da bacia das almas pesou. Enquanto Havertz e Nick Woltemade pararam nas mãos monumentais de Orlando Gill, e Tah isolou pelos ares, coube ao zagueiro José Canale a frieza derradeira para estufar as redes e decretar o épico 4 a 3 guarani.






