A seleção da Croácia chega à Copa do Mundo de 2026 sustentada por um retrospecto que impõe respeito a qualquer adversário. Desde sua independência, o país construiu uma trajetória formidável em mundiais: semifinalista em 1998, vice-campeão em 2018 e terceiro colocado no Catar em 2022. Sob o comando do técnico Zlatko Dalić, que chega ao seu terceiro mundial consecutivo à frente da equipe, os croatas buscam superar as desconfianças geradas por uma Eurocopa de 2024 decepcionante e provar que sua capacidade competitiva continua intacta.
De Ótimos Meio-campistas a Ótimos Zagueiros: A Mudança de Eixo
Se nos ciclos anteriores a Croácia tinha como pilar o melhor trio de meio-campistas do mundo (Modrić, Rakitić e Brozović), o cenário atual forçou uma reconfiguração do eixo da equipe. Rakitić e Brozović já não fazem parte do elenco, e Mateo Kovačić (que teve uma temporada marcada por lesões) tenta retomar o ritmo ao lado do eterno capitão Luka Modrić, que continua desfilando sua classe após uma grande temporada.
"A Croácia tinha ótimos meio-campistas e agora tem ótimos zagueiros", declarou recentemente o técnico Zlatko Dalić, destacando o surgimento de uma safra defensiva promissora.
O grande nome dessa transformação é o jovem zagueiro Luka Vušković (pertencente ao Tottenham e sensação do Hamburgo na Bundesliga). Vušković destaca-se não apenas por sua imponência física nos duelos aéreos, mas também por sua técnica refinada na saída de bola e agressividade para se projetar ao ataque. A ascensão dele deu a Dalić os argumentos necessários para adotar uma linha de três zagueiros de forma definitiva a partir do final de 2025.
O Sistema Tático: Três Zagueiros e o Papel dos Alas
A variação para o 3-4-2-1 ou 3-5-2 visa corrigir carências crônicas, especialmente na lateral esquerda, onde nomes como Sosa, Bradarić e Juranović foram testados sem que ninguém se firmasse. Com a linha de três, Ivan Perišić ganha liberdade para atuar como ala esquerdo, controlando o corredor de forma mais confortável, enquanto Joško Gvardiol atua como o zagueiro pela esquerda, subindo para apoiar o meio-campo.
Na zaga, Vušković atua centralizado, ladeado por Šutalo e Gvardiol (ou Ćaleta-Car). Na ala direita, Jakić e Stanišić disputam a titularidade. O meio-campo conta com a contenção de Petar Sučić e a qualidade de passe de Modrić e Kovačić (ou Luka Sučić, da Real Sociedad). A criação pelos lados fica a cargo de Martin Baturina (do Como) e Kramarić, que flutuam por dentro para criar superioridade numérica.
A Eterna Carência do Camisa 9 e o Pragmatismo Croata
Apesar da abundância de meias e zagueiros, a Croácia ainda sofre para encontrar um centroavante goleador de elite. Ante Budimir e Igor Matanović (Freiburg) oferecem presença física na área e retenção de bola longa, mas não têm a letalidade de centroavantes das grandes potências como a Inglaterra de Thomas Tuchel ou a Argentina. Dessa forma, a Croácia dependerá de sua mística: desacelerar o ritmo, competir defensivamente com o goleiro Livaković seguro e arrastar a decisão até as prorrogações ou penalidades, onde são historicamente fatais.
Este artigo foi baseado na análise tática em vídeo de Rafael Oliveira no YouTube. Confira a análise completa no vídeo no início do artigo.






