A seleção de Gana é uma das grandes incógnitas da Copa do Mundo de 2026. Após um ciclo repleto de turbulências — que culminou na eliminação precoce nas Eliminatórias da Copa Africana de Nações de 2025/2026 e em quedas na fase de grupos em edições anteriores —, a federação ganense optou por demitir o técnico Otto Addo em março de 2026. Para a Copa, foi contratado o experiente Carlos Queiroz, treinador conhecido por sua solidez defensiva como auxiliar de Alex Ferguson e por seu trabalho de dez anos à frente do Irã.
O Pragmático Estilo de Carlos Queiroz: Ferrolho Coletivo
Queiroz é um treinador extremamente pragmático que prioriza a organização do conjunto sobre o talento individual. Sem tempo hábil para treinar o elenco em campo antes de definir a lista final, a comissão técnica realizou um estudo aprofundado para mapear os jogadores. O objetivo do treinador é claro: fechar os espaços à frente da própria área e tentar neutralizar os ataques adversários no Grupo L (que conta com Inglaterra e Croácia), buscando pontuar contra o Panamá na estreia.
"A visão do Carlos Queiroz é muito pragmática: montar times sólidos que dificilmente vão ser superados, sem fazer questão de jogar um futebol ofensivo", analisa a crônica esportiva.
Para se defender, a equipe pode montar uma primeira linha de quatro que varia para uma linha de seis quando os pontas recuam profundamente para acompanhar os laterais adversários, bloqueando o corredor lateral e forçando cruzamentos que a zaga ganense possa rebater.
Desfalques de Peso na Defesa e na Criação
Os desafios de Queiroz aumentaram consideravelmente com os problemas médicos. Gana perdeu sua dupla de zaga titular composta por Alexander Djiku e Mohammed Salisu por lesão. Joseph Aidoo e Nicholas Opoku assumem a zaga, oferecendo imposição física mas menor refino na saída de bola. Nas laterais, Alidu Seidu ocupa a direita e Gideon Mensa a esquerda (apesar da polêmica convocação do experiente Baba Rahman).
Na frente, a ausência de Mohammed Kudus (lesionado) tira o jogador mais criativo e capaz de conduzir a bola por dentro. Thomas Partey atua como o grande pilar do meio-campo no 4-2-3-1, mas precisará de auxílio dinâmico de Cibô ou do jovem volante de 20 anos Ibrahim Osman/Irenk, que oferece mais combatividade e transição física.
Antoine Semenyo: A Estrela da Companhia
Com a ausência de Kudus, o protagonismo ofensivo recai sobre Antoine Semenyo, que vive grande fase na carreira após se transferir para o Manchester City. Semenyo atua como ponta ou segundo atacante por dentro, usando seu poder físico e velocidade para castigar adversários em transições rápidas. O veterano Jordan Ayew conecta os setores no comando de ataque, enquanto os jovens Fatawu Issahaku (na direita) e Kamaldeen Sulemana (na esquerda) garantem a largura. Do banco de reservas, Ernest Nuamah surge como arma técnica após se recuperar de problemas físicos.
Este artigo foi baseado na análise tática em vídeo de Rafael Oliveira no YouTube. Confira a análise completa no vídeo no início do artigo.






