A Era da Grandeza e da Dificuldade
Finalmente, a espera de três anos e meio chegou ao fim. O dia 11 de junho de 2026 não marca apenas o início de mais uma Copa do Mundo; ele inaugura uma nova era. É indiscutível que este Mundial, sediado por Estados Unidos, México e Canadá, é o maior de todos os tempos. Pela primeira vez com 48 seleções, teremos um recorde de 104 jogos, estendendo-se por quase 40 dias. É uma maratona de proporções épicas, um banquete para quem, como nós, organiza a vida em ciclos de quatro anos.
Contudo, a grandeza numérica traz consigo um desafio igualmente superlativo. Esta provavelmente será a Copa mais difícil da história. A começar pelo trivial: quem almeja a glória terá de disputar oito partidas, uma a mais que o formato anterior. Some-se a isso a complexidade logística de um torneio transcontinental e o calor sufocante que castigará os atletas em muitas das sedes. Mas o verdadeiro nó tático, o que redefine a dificuldade, está no campo.
O Achatamento do Futebol Mundial
O futebol de seleções nunca esteve tão nivelado. E isso não é uma crítica, mas um elogio à evolução do jogo. A distância hierárquica entre a primeira e a quarta prateleira de seleções desmoronou. Hoje, a noção de que qualquer time pode arrancar pontos de qualquer outro é uma realidade palpável, não mais um clichê de pré-jogo.
O futebol de seleções nunca esteve tão achatado como está agora. (...) Nunca a distância entre as seleções top, nunca a distância entre a primeira prateleira de seleções foi tão pequena para a terceira ou para a quarta prateleira de seleções.
Marrocos, nosso primeiro adversário, semifinalista em 2022, é um exemplo acabado. Enfrentá-los hoje é um teste de fogo para qualquer um, seja a França, seja o Haiti. O mesmo se aplica a Noruega, Colômbia, Equador. Seleções que antes eram coadjuvantes hoje protagonizam e complicam. Isso se deve a dois fatores: a democratização do conhecimento tático – hoje, qualquer federação com o mínimo de estrutura monta um time competitivo – e a diáspora de talentos. O melhor jogador da última Champions League é georgiano (Kvaratskhelia), um dos melhores zagueiros do mundo é equatoriano. A Noruega ostenta Haaland, Odegaard e Sørloth. O talento se espalhou, pulverizando o favoritismo.
E o Brasil Nessa Disputa?
Neste tabuleiro complexo, o Brasil de Carlo Ancelotti entra sonhando com o hexa, mas com os pés no chão. O normal, sejamos francos, é que o Brasil não vença esta Copa. O ciclo foi conturbado, Ancelotti teve apenas um ano de trabalho, e ainda buscamos a formação ideal enquanto potências como França, Argentina e Portugal chegam prontas.
A lógica aponta para que usemos 2026 como uma plataforma de maturação para a conquista em 2030, já com o técnico italiano renovado. Mas a Copa do Mundo, em sua imprevisibilidade, também premia quem se encaixa no torneio, quem encontra sua sinergia nos 40 dias sagrados. A esperança reside aí. Nunca se pode descartar o peso da camisa, mas a jornada rumo à sexta estrela jamais pareceu tão árdua.






