Enquanto os bastidores fervilham com questões extra-campo, o que realmente nos prende ao assento – a bola rolando – tem entregado um espetáculo de táticas renovadas e resultados que desafiam a lógica. A Copa do Mundo de 2026, com sua fase de grupos estendida e o número recorde de equipes, prometia um terreno fértil para surpresas, e não tem decepcionado.
O Campo Aberto e as Surpresas Iniciais – Um Respiro Tático na Fase de Grupos
A grande tendência tática inicial, como bem apontado por analistas, é o "retorno do campo aberto". Equipes mais dispostas a correr riscos, a pressionar alto e a explorar espaços com transições rápidas e verticalidade, substituindo o controle excessivo que marcou boa parte do futebol de seleções na última década. Não se trata apenas de talento individual, mas de "sistemas, estrutura e inteligência tática". O "lateral invertido", os "meia-espaços" e a "resistência à pressão" são conceitos que vemos ser aplicados com mais frequência, buscando a progressão ofensiva em vez da mera posse de bola.
E essa mudança de paradigma tático já se reflete nos placares. A primeira rodada foi um caldeirão de zebras e decepções para os "grandes". A Coreia do Sul, por exemplo, demonstrou um repertório ofensivo consistente para virar sobre a República Tcheca. O Catar, em sua segunda participação, conquistou um heroico empate contra a Suíça, seu primeiro ponto na história dos Mundiais. A Austrália não se intimidou e venceu a favorita Turquia por 2 a 0.
Mas as maiores surpresas vieram das seleções africanas. Cabo Verde, em sua estreia em Copas, arrancou um empate contra a Espanha, uma das candidatas ao título. A Bélgica, outra potência europeia, também tropeçou diante do Egito, saindo com um empate por 1 a 1. Esses resultados reverberam o que se esperava:
O novo formato, com 48 seleções, "amplia as possibilidades de zebras" e pode "transformar equipes organizadas em protagonistas inesperados".
E o Brasil? Nossa Seleção Canarinho teve uma estreia "abaixo do esperado" no empate com Marrocos. Um gol de Vinicius Júnior salvou um ponto, mas a performance deixou a desejar, levantando dúvidas sobre o entrosamento sob o comando de Carlo Ancelotti e a profundidade do elenco. A Alemanha, por outro lado, aplicou uma goleada expressiva de 7 a 1 sobre Curaçao, enquanto a Suécia brilhou com 5 a 1 sobre a Tunísia.
No topo da artilharia, Lionel Messi comanda com 3 gols na vitória da Argentina sobre a Argélia. Mas a grande marca histórica até agora é de Kylian Mbappé, que com dois gols na estreia da França contra Senegal, chegou a 14 gols em Mundiais, superando Pelé (12) e Messi (13) no ranking histórico de artilheiros da Copa do Mundo. Haaland e Kane, com dois gols cada, também prometem acirrar essa disputa.
A Copa de 2026, apesar das nuvens fora de campo, nos oferece um vislumbre de um futebol mais dinâmico, imprevisível e globalizado. As hierarquias, ao menos nesta fase inicial, estão sendo questionadas, e é essa ebulição tática e a coragem dos "azarões" que, de fato, fazem o coração do fã pulsar mais forte. Que venham mais surpresas e grandes jogos!






